Sábado, 27 de Novembro de 2010

Eleições na Ordem dos Advogados - Marinho Pinto Bastonário

As eleições na Ordem dos Advogados Portuguesas - ainda com resultados provisórios - asseguraram ao Dr. Marinho Pinto o segundo mandato como bastonário.
Marinho Pinto não tem nenhuma Distrital - tendo os candidatos por si apoiados perdido em toda a linha - e o Conselho Superior que venceu não tinha igualmente o apoio do candidato agora eleito.
Outro facto relevante: a soma aritmética dos votos dos dois candidatos derrotados (Fragoso Marques e Luis Filipe Carvalh) teria impedido a eleição de Marinho.
Escrevi aqui que esperava que o facto de as duas condidaturas não terem sido capazes de unir esforços não fosse amargamente recordada por todos os advogados portugueses.
Luis Filipe Carvalho tem aqui fortissimas responsabilidades uma vez que era evidente que a sua candidatura tinha o terceiro lugar como destino.
Fernando Fragoso Marques fez uma campanha digna e frontal que nos enche de orgulho.
Lutou contra Marinho e contra a ambição pessoal de um candidato que não o devia ter sido.
Eram frentes a mais como veio a revelar-se.
Veremos as condições de governabilidade da Ordem e, sobretudo, a forma como Marinho Pinto agora se apresentará neste segundo mandato.
Uma nota final se impõe: a radicalização do discurso de Marinho Pinto renovou-lhe a vitória.
A maioria da classe parece querer que seja travada uma luta contra a Magistratura e acha que esse é o melhor caminho.
Quer que o Dr. Marinho continue a fazer acusações genéricas, a atacar frontalmente o prestigio da profissão, mesmo que diga que o defende.
Quer populismo e demagogia e acha que isso nos conduzirá a algum caminho.
O problema dos advogados não é, por isso, o Dr. Marinho.
À primeira qualquer cai. À segunda cai quem quer.

4 comments:

Isabel Duarte disse...

A "campanha digna" que refere no seu texto, levou o seu candidato a uma derrota estrondosa, nas eleições em que a lista do Conselho Superior que ele apoiava o suplantou em quase mil e trezentos votos, ainda que num mar de vazio de ideias e de ideais. Luís Filipe Carvalho sabe mais da Ordem a dormir do que o seu candidato acordado e mostrou que não corria só pelo gosto e encomenda expressa de derrotar Marinho Pinto. Era, pois, o seu candidato que, em prol da decência e da dignidade, deveria ter desistido do seu projecto meramente antagónico, negativo e pessoal, como a (não) votação expressiva que teve o demonstrou. Ao seu candidato cabe, mais do que a ninguém, o Óscar "dividir para (não) reinar".

Luís Miguel Jesus disse...

Não discuto dignidade de campanhas. Apenas quero - desejo - que os advogados que pela segunda vez PERDERAM, aqueles que diziam que Marinho e Pinto tinha sido um "engano" e que a classe já não o queria onde... afinal está de novo (e tem o meu voto outra vez), o deixem governar.
Não desistam das suas próprias ideias. O pluralismo é bom.
Mas só disso mesmo não devem desistir, nem da luta DIGNA por elas. Agora... desistam da "guerra ao homem", da "caça", do deprimento ataque encomendado junto de tv´s e órgãos de comunicação social. Porque se a OA se arrastou pela Comunicação Social não foi por Marinho. Não é ele que é de Lisboa, não é ele comentador residente da SIC, não é ele um "connection boy" e, menos, me parece que seja apoiado por nenhum gabinete de imagem. Ao contrário de outros. Esses outros que... tanto foram à "caça" de Marinho que... foram caçados eles próprios.
Ao Dr. Marinho desejo uma renovação daquilo que, para mim, salva a forma (nem sempre concordei com ela), foi uma OPTIMA governação da nossa Ordem. Delegações "na linha", CD´s "em sentido", apoio judiciário sem "favores e cambões", desculpem mas... juízes a ouvir muito do que merecem, dedo na ferida. Chega de ser politicamente correcto, beijo pela frente e faca por detrás. Apoio Marinho, apoiarei sempre. Muitos parabéns aos Advogados Portugueses, pelo rumo que decidiram para a sua Ordem. Os descontentes que aprendam - os que precisam, pois nem todos estão no mesmo saco - que a crítica na TV, o churrilho de vergonha em que reviram a Ordem dos Advogados, mais não foi que a vergonha pública que se dispuseram fazer em tudo o que foi órgão de comunicação social.

Última nota: nem só de aritmética se faz a democracia. Não está dito que a ausência de Luís Filipe Carvalho ou de Fragoso Marques - não importa - desse por resultado a soma aritmética dos seus dois resultados. A julgar pelo que diz a estatística, aliás, a derrota teria até sido maior se eventualmente assim tivesse sido.

Parabéns Marinho Pinto.
Luís Miguel Jesus
Advogado
19271L

PFA disse...

Dra. Isabel Duarte,
Obrigado pelo seu comentário.
O Dr. Fragoso Marques foi derrotado e não há nenhuma dúvida sobre isso. Fez uma campanha digna com um conjunto significativo de apoios e ficou em segundo lugar. Já o Dr. LFC parece que não conseguiu convencer muita gente que sabia muito da Ordem a dormir. No meu entender isso significa que era o que menos condições tinha para ganhar. E nem era preciso ir a votos porque o resultado era previsível: estava-lhe destinado o terceiro lugar.
Como era importante, no meu entender, derrotar o Dr. Marinho Pinto, um dos dois candidatos deveria ter desistido. E o Dr. LFC era o que menos condições tinha para ganhar, o que os resultados bem demonstraram.
Escrevi-o aqui antes das eleições.
Respeito obviamente opiniões contrárias mas acho que ficou claro que dividiu o eleitorado.
Cumprimentos e reitero o agradecimento pelo comentário.
Este blog é acima de tudo dos seus leitores.

PFA disse...

Dr. Luis Miguel Jesus,

Obrigado pelo seu comentário.
De facto tem razão, houve dois candidatos derrotados e um deles tinha mais condições de ganhar do que o outro. Não é preciso grandes matemáticas para ver isso.
E sem que fossem necessárias sondagens era evidente o resultado final.
Já sobre o mandato do Dr. Marinho discordo profundamente. Não foi um bom mandato e afectou sobretudo o prestigio da profissão.
Longo seria o debate mas dou-lhe um exemplo: são necessárias algumas reformas de fundo na justiça e elas não se fazem em confronto designadamente com os Magistrados.
Nem todas as pessoas pensam como o Dr. MP, por exemplo, em relação à magistratura.
Há na magistratura (muitos) profissionais dignos (a maioria, aliás) e com qualidade. Generalizar os ataques é lançar "lama" sobre um conjunto de profissionais com os quais teremos de trabalhar no futuro em prol das necessárias reformas.
Todos nos ofendemos quando se generalizam os ataques aos advogados. Coloque-se, por um dia, nesse lugar também.
Não estou bem a ver que este caminho de confronto nos leve a algum lado. E que com ele se consigam fazer as alterações necessárias. Não se esqueça que estamos prestes a mudar de rumo. E só a união dos operadores judiciários permitiria impedir as alterações impostas "contra tudo e contra todos" que aí vêm.
Pela minha parte respeitarei a decisão dos eleitores. Mas sempre entendi que a legitimidade não permite tudo.
E por isso este continuará a ser um espaço independente e livre.
Cumprimentos e volte sempre.