Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Obviamente Fragoso Marques!

No próximo dia 26 de Novembro realizam-se as eleições para a Ordem dos Advogados.
Razões de agenda profissional e pessoal impediram-me – com pena - de estar presente em qualquer acto de campanha eleitoral.
Isso não me impede, porém, de partilhar com aqueles que por aqui passam, algumas das razões que me levam a ter uma opinião convicta neste acto eleitoral.
Espero, em primeiro lugar, que o Dr. Marinho Pinto não seja o próximo Bastonário.
Mais do que isso, espero que os eleitores lhe desfiram uma poderosa e inequívoca derrota eleitoral que coloque fim a uma das páginas mais negras da história da Ordem dos Advogados.
Espero, por isso, que os advogados portugueses sejam capazes de não ceder ao populismo demagógico e à incoerência de acção e raciocínio que têm marcado este mandato e que consubstanciam uma séria ameaça à sobrevivência da Ordem dos Advogados tal como a conhecemos.
Já aqui escrevi um dia aqui que não perderia muito mais tempo com o Dr. Marinho.
E por isso, é tempo de virar a página salientando, no entanto, o excelente mandato do Conselho Superior que, em circunstâncias conhecidas (e já explicadas pelo Dr. José António Barreiros em carta que dirigiu aos advogados) foi capaz de corresponder às expectativas daqueles que – como eu – lhe entregaram o seu voto.

Tenho pena que os outros dois candidatos (Luis Filipe Carvalho e Fernando Fragoso Marques) não tenham sido capazes de encontrar uma plataforma de entendimento que permitisse unir esforços e apresentar aos advogados portugueses uma candidatura única.
Era absolutamente essencial que o fizessem, tendo em conta o estado em que o Dr. Marinho se prepara para deixar a Ordem, e tenho pena que isso não tenha sido possível.
Espero que esta decisão não seja - um dia - amarga para todos nós.
Luis Filipe Carvalho acreditou um dia que a história de Rogério Alves se repetia. Por isso apostou numa forte mediatização e fez um grande investimento pessoal à procura de um reconhecimento da classe, de uma verdadeira vaga de fundo, que o levaria a Bastonário. Não eram necessárias grandes ideias sobre a advocacia (repetindo a dose que havia sido servida por Rogério Alves) uma vez que a penetração conseguida no eleitorado em doses massivas de comunicação social fazia o resto.
A candidatura de Fragoso Marques representa muito mais do que isso.
Tem um projecto claro para a Ordem, ideias próprias e claras e em consequência disso reuniu desde logo um conjunto muito significativo de apoios de colegas.
E essa questão é, obviamente, decisiva quando é necessário, mais do que tudo, unir os advogados portugueses, numa altura que se avizinha particularmente difícil e com um conjunto de desafios que representam a luta pela própria sobrevivência da Ordem.
O seu percurso pessoal e profissional não deixam grande margem para dúvidas de que será capaz de responder de forma positiva às duras batalhas que terá de travar.
Joga-se o prestígio perdido da Ordem dos Advogados que tem de voltar a ser um interlocutor privilegiado, em conjunto com os demais operadores judiciários, nas mudanças que têm de ser levadas a cabo no nosso sistema de Justiça.
Mais do que uma agenda ”mediática” e uma agenda presidida pelos seus interesses pessoais Fragoso Marques terá como na sua agenda a defesa dos valores do Estado de Direito e dos valores de cidadania.
Fragoso Marques reuniu uma equipa representativa das várias expressões da advocacia e com ela conseguirá, decerto, através da união de todos os Advogados alcançar os consensos necessários que permitam a realização das reformas da justiça ao mesmo tempo que levará a bom porto a recuperação do prestigio da classe sem nunca perder de vista o rigor e a determinação na definição e no sinuoso caminho que terá inequivocamente que trilhar.
Por estas razões, merece o meu apoio e terá o meu voto no próximo dia 26.