Leio esta notícia, apresentada com uma simplicidade alarmante e questiono-me se por detrás dela está um corte de verbas puro e simples ou um problema (grave) de gestão seja ela local ou mais centralizada.
É evidente que apesar de Portugal estar a iniciar a travessia de uma profunda crise (não se iludam, vai piorar!) não tenho nenhuma nota particular de que existam serviços (públicos entenda-se) que não consigam proceder ao pagamento de bens essenciais como a água, a luz e o telefone.
Haverá por isso uma qualquer explicação mais profunda que um bom jornalismo de investigação devia seguir, procurando o que escondem as cartas que foram enviadas para a DGAJ e a razão pela qual esta não respondeu, se é que não houve resposta.
Infelizmente, porém, o jornalismo que se pratica em Portugal é de baixa qualidade.
Com excepções, os profissionais confiam demasiado nas fontes, sendo por isso instrumentalizados com relativa facilidade.
Criam-se ondas de notícias que depois se esvaziam, como se o problema estivesse resolvido.
É um problema de falta de exigência e, sobretudo, de falta de cultura da excelência que se verifica em cada cantinho do nosso país à beira mar plantado. O jornalismo, infelizmente, não é excepção.
A cultura da facilidade está instalada.
E com ela, o perigo de tomarmos por certos coisas cuja explicação tem raízes profundas.
Pergunto-me por vezes se não queremos saber da explicação porque não estamos preparados para a ouvir ou se pura e simplesmente não existe a qualidade para a procurar.
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