Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

O Tempo da Justiça

Numa época em que o escrutínio sobre os processos (mais do que sobre a justiça) aumenta a cada dia que passa, existe uma desenfreada preocupação com o tempo da justiça.
O cidadão comum convenceu-se que existe uma justiça a dois tempos e de vez em quando lá vem "a conversa dos garantismos" que pretende endossar a responsabilidade pela demora judicial (apenas) às leis e ao excesso de protecção que (dizem) confere.
E como o problema é de leis, não raro lá vem mais uma lei com a promessa de tudo resolver.
O tempo de duração do processo contém, obviamente, o tempo de duração do julgamento.
É ele que me traz aqui.
A questão é muito complexa para se circunscrever a meia dúzia de singelos parágrafos e por isso, como é evidente, não se esgota aqui o tema. 
Nem se podia esgotar, acrescente-se.
No que à duração do julgamento diz respeito sempre tive a noção de que eles duram o tempo que têm de durar e com contadas excepções, os operadores esforçam-se porque ele dure o tempo necessário.
Mas sem olhar para o relógio da sua duração total.
Até porque a duração do julgamento depende de um conjunto de factores: número de testemunhas, documentos, ritmos etc.
Parece, porém, que um conjunto de cidadãos decidiu medir o tempo de julgamento com base apenas no tipo de processo e local em que ele pende.
O resultado é o OpenData Justiça que está graficamente bem conseguido mas tem obviamente um problema de tentar simplificar o que, por sua natureza, é complexo e, como tal, não pode reconduzir-se a um simples relógio de duração.
Mas o que parece uma evidência, deixa de o ser neste tempo em que tudo é de "fast access".
Deve durar 10 meses, acrescentou com esbaforida premonição embora com as reservas em texto.  
Pouco importa. 
A verdade científica que o título antecipa está lá para os que passam os olhos.
Pouco interessa que com outro critério (mesmo ao lado) sem nunca se ater ao processo e à sua especificidade, o mesmo site estime a duração em 16 meses...
Talvez o objectivo fosse ocupar espaço editorial, folha de papel de jornal.
Objectivo superado, por isso!