Oleiros pertence ao Distrito de Castelo Branco e é sede de Concelho.
Pertence ao interior do país e aparece nas notícias de tempos a tempos por alturas do Verão quando os incêndios devastam o seu território de pinhal, mato e eucaliptos.
Perde população desde os anos 60 e terá cerca de 5.000 habitantes nas suas 12 freguesias.
É dominado há longos anos por qualquer Presidente da Câmara que concorra pelo PSD.
As votações esmagadoras não deixam margem para dúvidas.
Oleiros foi abandonado à sua sorte há muitos anos atrás.
Primeiro porque o país nunca soube o que fazer para fixar a população no interior.
Depois porque nunca teve propriamente competência ao nível do poder autárquico que permitisse, desde logo no inicio dos anos 90, aproveitar os fundos comunitários para se dotar de acessibilidades que lhe permitissem combater a desertificação, captando investimento e permitindo estancar o êxodo das suas populações.
Por esta ou por aquela razão, Oleiros iniciou a época dourada do país longe da sede de Distrito (uma horinha em curvas e contra-curvas) e longe da Sertã: 28 Km em inacreditáveis curvas que passam, de forma bem apropriada numa localidade chamada "Vale do Inferno".
A Sertã, ao contrário de Oleiros, soube aproveitar os fundos comunitários e "ligou-se" ao IC8 e, portanto, à A1 e quase à A23. A Sertã mudou muito nos últimos anos.
O mesmo aconteceu com Proença-a-Nova que bem conheço e que "encosta" no IC8.
Oleiros ficou onde estava, longe de tudo e de todos (mas com piscinas e pavilhões).
Surge agora nas notícias porque vai perder o seu tribunal de acordo com o projecto do Ministério da Justiça e das 47 comarcas a extinguir ocupa em termos brutos (sem considerar curvas) o 16.º lugar nas maiores distâncias a percorrer até chegar ao tribunal mais próximo.
Chegamos a esta situação por culpa própria (os eleitores continuam sucessivamente a caucionar a incompetência política de quem os gere e a falta de visão estratégica) e numa altura em que avançam as obras que permitirão melhorar a ligação à Sertã, considerando que Oleiros se integra na última PPP aprovada (Pinhal Interior Sul) e talvez a última de que ouviremos falar nos próximos anos.
A reorganização do mapa judiciário e a respectiva recondução dos cidadãos utentes da justiça a tribunais que se encontram a dezenas de Km representa um retrocesso civilizacional e a última machadada nas possibilidades de captação de investimento produtivo que permita fixar as populações locais e atrair novos habitantes.
Se as movimentações que certamente já se efectuam no sentido de evitar a extinção não lograrem sucesso, Oleiros perderá o seu tribunal e os seus habitantes terão de se deslocar à Sertã para ser testemunhas ou para defender os seus interesses.
A justiça ficará mais cara e para alguns ficará mesmo incomportável.
O pais colocará mais uma pedra no abandono do seu interior ao mesmo tempo que os eleitores de Oleiros e de tantos outros Oleiros receberão a factura dos anos de desgoverno do seu poder local.
No caso de Oleiros, os eleitores poderão banhar-se nas piscinas municipais, dar uns pontapés na bola num pavilhão ou no sintético ao ar livre, desfrutar da feira e das festas anuais comparticipadas pela autarquia mas se tiverem necessidade de recorrer aos tribunais bem podem "pedir um carro" para fazer quase 60 km (ida e volta) para ir à Sertã ou pagar a quem o faça por eles.
Alguns vão desistir e talvez a justiça passe a ser um luxo.
Daqui a meia dúzia de anos será o país a pagar a factura de ter os seus cidadãos encostados ao litoral, de ter as empresas que resistirem encostadas ao litoral.
Somos assim tão grandes que nos possamos dar a estes luxos?
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